Hora de falar um pouco sobre biologia. E tecnologia. E a melhor parte: ambos ao mesmo tempo!
Creio que muitos já ouviram falar da poluição das águas com plásticos, certo? Quem vai à praia certamente já viu os belos cardumes de Garrafas Plásticas Pintadas ou as majestosas Sacolas Plásticas dos Galápagos nadando livremente por aí, certo? Pois é. Essa bela fauna existe por conta dos plásticos que utilizamos e que são jogados fora de qualquer jeito.
Não vou ficar falando aqui sobre a importância de reciclar plásticos, porque isso certamente todo mundo já ouviu falar. E nem vou tentar discutir sobre o porquê fazer isso, pela mesma razão. Hoje vou falar sobre uma solução que fiquei sabendo hoje mesmo.
Mas antes, uma pergunta: quem já ouviu falar do continente de plástico? Acho que nem foi tanta gente assim, então uma breve explicação.
Clicando neste link do Google Maps vocês verão a região onde encontra-se o tal do “vórtice de lixo do pacífico” (tradução minha de “Pacific Trash Vortex”). No Gmaps, infelizmente, não tem como ver o tal do continente, mas acredite em mim que ele está lá. A Wikipedia tem algumas informações sobre ele. O link está em inglês, porque o link em português está bem fraquinho.
A explicação para tal concentração de lixo neste local é que o lixo coletado nos corpos d’água dos continentes (rios e mares, por exemplo) é levado ao oceano, como quem prestou nas aulas de ciências da escola deve lembrar. Sabe, aquele tal de “Ciclo da Água” que a professora falava enquanto você respondia o caderno de perguntas, alimentava seu Tamagoshi ou olhava o Facebook/Orkut no celular (dependendo de sua idade).
Uma vez que este lixo alcança os oceanos, as Correntes Maritmas levam elas para um passeio. Mais ou menos como Marlin, o pai do Nemo, pegando uma carona com as tartarugas surfistas na animação da Pixar. Mas, diferente o peixe-palhaço da animação, o lixo não está em uma missão pessoal, ele está só lá, sendo isso mesmo: lixo. Esse lixo fica lá, passeando nas correntes e começa a se concentrar em algumas áreas, como a do link que mandei, no Oceano Pacífico, e em outros locais, como no Oceano Atlântico. Se não me engano existem cinco destes “continentes” boiando pelo planeta.
Por que eu chamo isso de continente? Bem, tente lembrar de quanto lixo você vê naquele pequeno pedaço de praia que você visita no feriado. Multiplique aquilo pelo número de praias no planeta. Viu quanto lixo? É… Mas isso é só uma parte, só a parte que vemos. Pense nisso se acumulando durante algumas décadas, e talvez você tenha uma noção da quantidade de lixo que está lá, navegando feliz da vida nos oceanos.
Sem querer me esticar mais nisso, agora pense no quanto tudo isso de lixo influencia na vida maritma. Yep, isso tudo mesmo. Na verdade, bem mais do que isso, porque o oceano não tem só golfinhos, tartarugas e baleias azuis. Tem uma quantidade considerável de vida nos oceanos, e toda essa vida desenvolveu-se SEM a presença de plásticos. A vida se adapta? Certamente. Mas ela se adapta a uma situação nova, mas não é fácil se adaptar a uma situação nova que só aumenta de tamanho.
Eis que um garoto de 14 anos, lá dos Países Baixos (Holanda), teve uma ideia interessante para limpar os oceanos do plástico que jogamos por aí. Ou, pelo menos, diminuir o impacto já causado. Boyan Slat pensou em um sistema que captura o plástico que está boiando por aí e o armazena fora da água.
O sistema que ele projetou (e agora, com 19 anos, tenta tocar convidando quem se importa) baseia-se no conceito que o equipamento produziria sua própria energia (solar ou a partir das correntes e ondas), o que não poluiria como utilizar embarcações para recolher o lixo, e usaria bóias no lugar de redes, de forma que não haveria captura acidental de fauna oceânica, entre outras vantagens.
Quer conhecer o sistema que ele desenvolveu? Basta clicar no link boyanslat.com e dar uma olhada. Está tudo em inglês, mas não é exatamente difícil de compreender para quem tiver o mínimo de conhecimento.
A filosofia dele, que eu achei bem interessante, e que o levou a fazer este projeto é esta: “It will be very hard to convince everyone in the world to handle their plastics responsibly, but what we humans are very good in, is inventing technical solutions to our problems. And that’s what we’re doing.” (minha tradução: “Será bem difícil convencer todas as pessoas do mundo a cuidar de seu plástico com responsabilidade, mas se há algo que os humanos são bons, é em criar soluções tecnológicas para nossos problemas. E é isso que estamos fazendo.”)
A primeira coisa que eu consegui fazer para ajudar é espalhar a ideia. Se você leu até aqui, consegui espalhar para ao menos uma pessoa. Se você que está lendo quiser ajudar a espalhar, nem precisa “perder tempo” escrevendo, pode só mandar o link deste texto (ou diretamente do projeto) pra frente. Simples assim.